Arquivo mensal: fevereiro 2012

A Nova Pacaembu é a Velha Barra Funda

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Ahhh, esses marketeiros…   A “nova” moda do mercado imobiliário é dar um verniz de luxo a bairros historicamente populares.  E essa esticadinha de fronteiras é bem conhecida dos paulistanos. Quer dois exemplos?  Morumbi e Anália Franco são os primeiros que surgem na minha cabeça.

Um amigo me contou que, ao dar carona para uma menina, ela dizia morar no Morumba.  Bom, lá se foi  o incauto seguindo as orientações da moça: ” Passa a ponte  Cidade Jardim e segue reto” .  Passou a Estaiada, a do Morumbi, a entrada do Burle Marx e nada da casa dela.  Lá depois da estação  Capão Redondo ela avisa que chegou.

Na zona leste a mesma coisa:

– Mora onde?

– No Anália

– Fala a verdade!

-Ok, é depois da Av. São Miguel…

E a coitada da Vila Mariana? Esticaram tanto ela que nos prospectos de apês aparece fazendo divisa com a Nova Saúde, que  já é quase fora de SP.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vai entender…

Tokyo é aqui

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Não foi preciso muito esforço para sacar que o tal “perímetro de busca” abarcava alguns dos bairros mais procurados de SP. E aqui você pode  trocar “mais procurados” por “onde o m2 tem preço estratosférico”.  Na Vila Mariana, por exemplo,  um  apê  comprado na planta era anunciado a R$ 8 mil/m2.  Preço bem parecido com o que encontrei – pasmem! – na região da Rua Paim e Rua Santo Antonio.

Isso me fez lembrar do início dos 90´s  e do que meu pai  dizia:  ” Esse povo do Bexiga acha que isso aqui é Manhattan, 5a avenida. Estão malucos…”.  É, pai, hoje isso aqui virou Tokyo.

Faço a comparação com a capital japa não só pelos valores, mas também pelo tamanho dos apartamentos. Como conseguem colocar 2 quartos em 50m2? Ok,  podem vir com aquele papo de que ” dinâmica do mundo moderno leva à escolha de imóveis menores”, mas a minha pretensão era encontrar um  imóvel confortável e passar nele os próximos 10 anos.

Um cantinho para chamar de seu

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“Está na hora de você buscar um cantinho para chamar de seu”.  Essa foi a frase que minha mãe utilizou no seu conselho/ultimato.  Contudo, não sei exatamente quando esse papo rolou, mas a vontade de sair de casa já era um fato.  Afinal de contas, eu e Heitor  estamos juntos há seis anos.

Bom, a partir daí foram muitas horas em frente ao computador vasculhando exaustivamente os sites  Zap e ImovelWeb.  De vez enquando rolava uma espiadinha na Axpe,  só que os valores estavam far far away  do nosso budget. Para falar a verdade, e com base no que  víamos do mercado imobiliário paulistano, o desespero se instalou.  A visão de um financiamento imobiliário e seus juros extorsivos me deixavam de cabelos em pé.

Outro ponto que dificultava minha saga era o comodismo.  Sempre vivi na região central – mais precisamente na Bela Vista – e nos últimos oito anos moro em um apê enorme a poucos metros da Avenida Paulista.  Morar minimamente próximo a esse pedaço era exigência e, sendo assim, já exclui grande parte da cidade.

Tracei na minha cabeça um perímetro: Vila Mariana (no máximo até a Santa Cruz); Paraíso (até a Tutóia); Jardim Paulista (até Lorena); Pinheiros (até Fradique); Perdizes (região entre Pacaembu e Sumaré); Santa Cecília (baixo Higienópolis); Bela Vista / Cerqueira César; Aclimação.  Esses seriam os bairros em que eu iria me concentrar na busca.

Em vermelho os bairros selecionados